30 milhões de vegetarianos querem ser seu cliente

Você trabalha no segmento de vida saudável e tem clientes vegetarianos/veganos? Então, não pode perder esse artigo. É que a Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) divulgou uma pesquisa (*) realizada pelo IBOPE Inteligência sobre Vegetarianismo no país. E os números impressionam.

Segundo os dados, 14% da população no Brasil se declara vegetariana. Estamos falando de cerca de 30 milhões de pessoas. Um número equivalente à população dos estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e do Espírito Santos juntas. Esse resultado é quase 100% maior do que o registrado na pesquisa anterior, feita em 2012, quando 16 milhões se declararam vegetarianos.

A pesquisa deste ano mostra também que mais da metade dos entrevistados (55%) informou que consumiria mais produtos veganos se estivessem melhor indicados na embalagem, ou se tivessem o mesmo preço que os produtos que estão acostumados a consumir (60%). Nas capitais, esta porcentagem sobe para 65%.

Vegetarianos: vida saudável e harmonia com o planeta

São informações muito importantes, que deixam claro um movimento mundial, que cresce exponencialmente, de pessoas em busca de uma vida mais saudável, ética e em harmonia com a natureza.

Acredito que a questão vai muito além de ser vegetariano ou vegano, porque outro movimento, que também vem aumentando, é o de pessoas que reduziram o consumo de carne, principalmente vermelha, leite/derivados e ovos.

O estresse e outras doenças, entre elas vários tipos de câncer, estão levando as pessoas a buscarem um estilo de vida mais saudável e viver com mais bem-estar. Além de escolher minimizar os impactos negativos no meio ambiente.

Ao entrevistar a chef Tati Lund, do Org. Bistrô, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, ela me informou que a grande maioria do seu público não é vegetariana. Mas sim pessoas que escolheram fazer mais refeições sem carne.

Pesquisas aliam várias doenças ao consumo de carne

A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) fez um alerta, há menos de três anos, após pesquisa realizada pela Agência Internacional para a Pesquisa sobre Câncer (IARC), vinculada à OMS. Uma das conclusões do trabalho foi que “o consumo de 50 gramas diárias de carne processada aumenta o risco de câncer colorretal em 18%”. É a salsicha, presunto, linguiça, carne enlatada, carne de sol, carne seca e charque, além de molhos e outros produtos à base de carne.

O consumo de carne vermelha foi classificado como “provavelmente cancerígeno para os humanos”. A “associação entre carne vermelha e câncer foi observada, principalmente, para o câncer colorretal, mas associações também foram observadas para câncer de pâncreas e câncer de próstata”, segundo especialistas.

“Tendo em vista o grande número de pessoas que consomem carne processada, o impacto global sobre a incidência de câncer é de importância para a saúde pública”, disse Kurt Straif, chefe do programa da IARC responsável pelas pesquisas.

De acordo com o médico especialista em nutrologia Eric Slywitch, “as populações vegetarianas apresentam melhor padrão alimentar e menor prevalência de doenças crônico-degenerativas quando comparadas às onívoras.”

Para as pessoas que desejam se tornar vegetarianas/veganas, o ideal é serem acompanhadas por um nutrólogo com experiência em pacientes vegetarianos, além de uma nutricionista se achar necessário.

Atualmente encontram-se cursos para médicos que atendem pacientes vegetarianos, além de cursos de pós-graduação em gastronomia vegana.

Mercado vegetariano pode gerar bilhões de dólares

A divulgação cada vez maior de pesquisas associando sérios problemas de saúde, como cardíacos, câncer e obesidade, a uma dieta baseada em grande consumo de proteínas animais, e o desejo por uma vida mais equilibrada, abrem inúmeras oportunidades no setor de alimentos vegetarianos e veganos, que podem chegar a bilhões de dólares.

Nos Estados Unidos, o número de pessoas que se declara vegana cresceu 600% nos últimos três anos. E no Reino Unido, o número de pessoas que se identificam como veganos aumentou em 350%, comparado a uma década atrás, de acordo com pesquisa encomendada pela Vegan Society em parceria com a revista Vegan Life. E no Brasil, de janeiro de 2012 a dezembro de 2017, o volume de buscas pelo termo ‘vegano’ aumentou 14 vezes, segundo a SVB.

Pelo menos uma opção vegetariana

No nosso país, mesmo nas principais capitais, ainda não é tão comum encontrar uma opção vegetariana ou vegana nos cardápios dos restaurantes. E quando me refiro a uma opção, quero dizer, um prato principal e não entrada, como bruschetas ou salada ceasar, ou petiscos como batata e aipim fritos. Um prato saudável, nutritivo, delicioso e sem carne, sem peixe e sem ovo.

Guia gratuito para estabelecimentos comerciais

Lançado no final de 2016 pela SVB, em parceria com a Humane Society International (HSI), o Programa Opção Vegana auxilia gratuitamente estabelecimentos do segmento de alimentação a incluírem opções de refeições no cardápio sem nenhum ingrediente de origem animal. Atualmente oferecem este guia, além de consultoria, também gratuita.

O crescimento de vegetarianos está levando grandes empresas do setor atacadista a pedirem mais produtos à base vegetal aos fornecedores.

Os bilionários investidores Bill Gates e Richard Branson estão atuando também no setor de proteínas vegetais e substitutos às carnes. Branson, inclusive, informou que nos voos da companhia aérea do grupo Virgin, além dos hotéis e trens, não são mais servidas refeições com carne.

É uma oportunidade gigante para atender um público enorme, ávido por empresas mais sustentáveis e éticas. E quem atua no setor de alimentação saudável precisa estar atento aos mais recentes estudos na área e demandas dos clientes.

(*) A pesquisa, contratada pela Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), foi realizada em abril deste ano, com amostra de 2002 entrevistados em 142 municípios. A margem de erro estimada é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, sobre os resultados encontrados no total da amostra.

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