É preciso abrir os olhos e enfrentar a realidade

Todo mundo felizão com o Brasil nos Jogos Olímpicos de Tóquio, mas dá uma olhada esses recordes que NÃO devemos alcançar. E para isso, você, eu, empresas e governos temos que nos dedicar diariamente com garra e coragem.

– O Homem tem aquecido o planeta a uma taxa sem precedentes nos últimos 2 mil anos e algumas mudanças no clima já são irreversíveis;

– É “indiscutível” que as atividades humanas estão alterando o clima do planeta;

– Mudanças recentes no clima são generalizadas, rápidas, intensificadas e sem precedentes em pelo menos 6.500 anos;

– Eventos climáticos de extremo calor que aconteciam 1x a cada 50 anos agora são 39,2x mais frequentes;

– Eventos climáticos de forte seca que ocorriam 1x a cada 10 dez anos, agora são a cada 3 anos (Incêndios na Sibéria, Turquia e Grécia, e enchentes na Alemanha e na Bélgica na atual magnitude não são normais);

– o aquecimento global do planeta pode alcançar o limite de 1,5°C em 2030, 10 anos mais cedo que o previsto, se mantivermos as atuais emissões de CO2;

– Em 5 cenários possíveis, no pior deles, o aumento da temperatura no Brasil pode chegar a + de 4°C. Isso impacta agricultura, pecuária, etc devido à mudança no sistema climático como um todo;

– a quantidade de CO2 absorvida pelos oceanos (deixa de ir para a atmosfera gerando o efeito estufa) que atualmente é de 70% pode passar para 38% no futuro;

– a aceleração do aumento do nível do mar quase triplicou entre 2006 e 2018. O Brasil tem alguma área litorânea por acaso???

O que precisamos fazer

Mas tem solução. O Dr Paulo Artaxo da USP e um dos cientistas que elaboraram o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês) que traz esses dados estarrecedores, dá a receita: reduções fortes, rápidas e sustentadas de CO2 em 7% ao ano e de metano, 50x mais forte que o CO2, em 70%.

O relatório do IPP contou com 234 autores de 66 países, incluindo o Brasil, 517 colaboradores, e foram analisados 14 mil artigos científicos.

Thelma Krug, do Inpe e vice-presidente do IPCC, ressalta os avanços tecnológicos que permitiram avaliações climatológicas ainda mais qualificadas e robustas. Compreendemos melhor o clima do passado e do presente e podemos imaginar como o mundo estará nas próximas décadas ou séculos.

Não há dúvida de que somos nós os causadores de tudo isso. “A escala temporal dos fenômenos geofísicos ocorre em milhares ou milhões de anos. Não há qualquer mecanismo conhecido que possa explicar um aquecimento de menos de 100 anos causado por alguma forçante orbital da Terra em torno do sol”, explica Artaxo.

Somos viciados em petróleo

Na década de 1920 a população mundial era de 2 bilhões e atualmente já somos quase 8 bi. Em cerca de 100 anos praticamente quadruplicamos o número de pessoas na Terra. Em 2019, o mundo consumiu 98,3 milhões de barris por dia de petróleo, reduziu um pouco em 2020, mas já estamos novamente na faixa de 100 milhões. Prestou atenção nesse nº do consumo POR DIA?’

Não banalize os dados do IPCC. Não minimize a gravidade da situação presente e no futuro. Estamos tornado o mundo um lugar hostil para qualquer tipo de vida, principalmente a humana. Os eventos extremos vão aumentar, vai faltar água, alimento, luz, emprego. As migrações aumentarão exponencialmente com os refugiados climáticos Você consegue deitar a cabeça no travesseiro tranquilamente à noite?

Como diz o ativista e cineasta Yann Arthus-Bertrand: “Não precisamos de esperança, mas de coragem. Descarbonizar nossas vidas. Viver melhor com menos”.

Em dia de divulgação de relatório do IPCC, empresas, governos e escolas deveriam parar e refletir: por que somos a única espécie no planeta que destrói seu próprio habitat? E agir!

Fontes: IPCC e Fapesp

Imagem: Kelly Sikkema/Unsplash

Artigo publicado originalmente no site Plurale

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