Empresas B: inspiração para pessoas e empresas

Empresas B se baseiam em propósito, responsabilidade e transparência

Em época de polêmica sobre a Amazônia, não custa lembrar que os recursos naturais estão acabando, porque consumimos um planeta e meio. E no Brasil, temos disparidades enormes com milhões de pessoas sem saneamento básico, analfabetos funcionais e o enorme abismo entre o poder aquisitivo dos que ganham mais e menos.

Mas felizmente algumas pessoas começaram a entender que algo precisava mudar. Que a busca desenfreada pelo lucro não faz mais sentido e que o sistema econômico precisa se recriar. Com isso, surgiram as novas economias: locais, mundiais, articuladas e desarticuladas.

Tem gente percebendo que a mudança é complexa e vai mexer com privilégios que, obviamente, muitos não querem perder. Todo o processo produtivo precisa ser repensado, desde a fabricação até a forma de consumo.

Impacto socioambiental

E assim surgiu o Sistema B, um movimento de transformação com uma equação em que propósito/empreendedorismo e inovação só podem existir se houver impacto socioambiental. (Foi criado nos Estados Unidos em 2006 e veio para o Brasil em 2013). O propósito deve produzir a solução de algum problema social ou ambiental. Do contrário, segue sustentando o atual sistema.

O Movimento quer usar a força dos negócios para gerar benefício econômico, mas também social e/ou ambiental. É a ideia de que o lucro tem que vir acompanhado do bem-estar dos funcionários e ajudar a criar um planeta sustentável e com menos desigualdades. Dessa maneira, redefine-se o conceito de sucesso nos negócios.

As empresas são a segunda maior forma de organização humana, perdendo apenas para as famílias. Poxa, existe uma força enorme nisso aí! Se conseguirmos usar as corporações para transformar o mundo… Por que não colocar o sarrafo lá no alto?

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Certificação empresa B

Os 3 pilares do Sistema B são ferramentas, poder público e certificação. (Empresa B certificada = lucro + pessoas + boas práticas socioambientais). As companhias podem ser certificadas como empresa B mostrando que se diferenciam das outras ao ter boas práticas, após passar por um processo que consiste em um questionário de 160 perguntas, entrevistas e visitas às organizações.

O Movimento dispõe gratuitamente em seu site uma ferramenta que visa medir o impacto gerado com o mesmo rigor com que são calculadas as metas financeiras.

E também acredita-se que é importante conversar com o 1º setor para que existam leis para tipos jurídicos de empresas que causam impacto positivo, ou seja, que não podem ser taxadas da mesma maneira que as outras, e também com relação às compras públicas.

Nos Estados Unidos, há vários estados que já legislam com um tipo jurídico chamado de “B Corp” e a Itália foi o primeiro país a ter uma lei desse tipo.

Sistema B “pessoa física”

Não vou aprofundar esse tema tão bacana e necessário. Mas gostaria de fazer uma analogia em como podemos nos certificar como pessoas/cidadãos B. Porque nós, como consumidores, temos sim o poder de mudar o mundo: ao boicotar ou apoiar determinada empresa ou produto, ao pressionar governos por políticas públicas que reduzam as desigualdades e incentivem uma economia de baixo carbono, ao ser um consumidor sustentável, ao economizar água no banho, escovar os dentes e lavar a louça, ao fazer coleta seletiva, mesmo quando a sua rua não tem essa prestação de serviço, e por aí vai.

Para se inspirar

Alguns exemplos muito bacanas são:

A empresa de sorvetes queridinha no mundo (não é à toa) divulga índice de felicidade das vacas criadas para a produção de leite, financiou seus fornecedores para que, em cinco anos, se tornassem orgânicos, e também tem grande envolvimento com as comunidades locais. Além de vender brownies feitos pela Greyston.

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A empresa, situada na periferia de Nova Iorque numa área barra pesadíssima, deixa muito clara sua missão em um apenas uma frase:

We don’t hire people to bake brownies, we bake brownies to hire people!, Greyston

Ela acredita que a capacidade de um único indivíduo para encontrar e manter um emprego pode ter profundas repercussões em toda a comunidade: dar esperança a famílias, bairros e empresas locais. Por isso, quem chega lá para procurar emprego não tem que passar por uma entrevista que esmiúça todo seu passado. Isso explica por que muitos de seus funcionários são ex-presidiários.

A empresa nacional de tecnologia desenvolveu copos 100% biodegradáveis e compostáveis, tendo como matéria-prima a fécula da mandioca.

E, inquietos por ainda não atingir o conceito de economia circular, passaram a oferecer serviços de compostagem em que o material é transformado em adubo.

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Papel Semente

Empresa que produz papel artesanal ecológico que, após ser usado, pode ser plantado e se transformar em flores, verduras ou ervas medicinais.

Segundo Gabriela Valente, colíder executiva do Projeto Rio+B – uma realização do Sistema B – o Movimento quer ser um agente transformador e a ideia é que, em 20 anos, eles não tenham mais motivo para existir (não custa sonhar alto).

O Sistema B é a solução para as mazelas do capitalismo? Não exatamente. Mas é indiscutível o valor gerado pelas mais de 80 empresas no Brasil (Natura é uma delas) e as 2 mil em outros 49 países.

Artigo baseado na palestra de Gabriela Valente no Instituto Gênesis da Puc-Rio, em 13/9/17.

Fotos 1 e 2: Unsplash

Fotos 3 e 4: Reprodução Facebook

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