ESG é o novo greenwashing?

Eventos online e presenciais precisam ter foco na igualdade de gênero

90% dos eventos corporativos com o tema ESG (Sustentabilidade, Social e Governança, sigla em inglês) na pauta a que tive acesso:

– mais de 80% dos palestrantes apenas homens brancos;
– se havia mulheres, eram brancas e em número muito reduzido;
– mulheres negras, então, pouquíssimas,
– nenhum deles tinha maioria de negros (as).

A busca no google trends com o termo cresceu exponencialmente. Investidores estão de olho em empresas que colocam o ESG genuinamente no centro do negócio. E consumidores também. A pressão é grande nessa direção.

ESG é sobre igualdade de gênero, oportunidades iguais a todos, redução da pobreza, diversidade em cargos de tomada de decisão, transparência e ética, e isso dá mais resultado! Se o ESG não é levado em consideração nem na hora de se elaborar um evento sobre o tema, imagino o quão distante ele ainda está na estratégia do business.

Evento que fala sobre fome e pobreza, mas ou não há mulheres e negros ou a quantidade é insignificante. A população brasileira é formada em sua maioria por negros. A fome e a pobreza atingem, em nível mundial, mais as negras. E as mulheres também são 2/3 dos analfabetos. Sim, você pode falar sobre pobreza sem ter sentido isso na pele. Tem muita gente branca qualificada no tema, mas o debate perderá muito em sua riqueza. E precisamos agir se queremos mudar profundamente o racismo estrutural, terminar com a visão obsoleta e equilibrar o número de homens e mulheres na alta liderança.

Sério. Isso tem me incomodado demais. ESG é o novo greenwashing, gente? Será se deixarmos que isso aconteça!

Temos o papel de cobrar

Colaboradores! Reclamem, cobrem ESG na prática ao receberem um link para um evento lindo e cheio de propósito da sua empresa apenas com pessoas brancas e maioria masculina. Assumam seu lugar de fala e de serem um importante agente nessa transformação.

Palestrantes! Se forem chamados a participar de algum evento, perguntem quantos painelistas são homens e mulheres? Quantos negros e negras? E nem adianta vir com a desculpa de que não consigo encontrar, porque isso é a maior falácia!! Nem vou perder meu tempo escrevendo sobre isso! Pergunte se há colaboradores portadores de necessidades especiais? Como a empresa trata diversidade e inclusão? Ah, Giane, você quer que eu recuse trabalho?! Dependendo da situação sim, e te convido, principalmente, a tentar plantar essa semente nas companhias. Levar essa reflexão.

Desejo que a empresa em que você trabalha e/ou dirige, genuinamente tenha entendido que a mudança, apesar de ainda lenta, está acontecendo e que ela, além de permitir oportunidades e vida digna a todos, reduzir as emissões de CO2, proteger a biodiversidade e recursos naturais, é bom para os negócios.

Ter a sustentabilidade no centro da estratégia dá mais lucro.
Ter gente de todas as cores, crenças, culturas, vivências e idades também.
Ter impacto positivo no seu entorno, na comunidade, ter projetos socioambientais, esportivos e culturais traz mais lucro e felicidade. Colaboradores mais engajados, menor turnover e mais resultado!

Ao acordar de manhã, olhe-se no espelho e pergunte: o que vou fazer hoje para mudar essa realidade?

Imagem: Jakob Owens/Unsplash

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