Qual é o seu maior impacto negativo no planeta?

Muito se fala sobre poluição do plástico nos oceanos, mudanças climáticas – tempestades, desertificação, desflorestamento -, desperdício de alimentos, milhares de toneladas de resíduos em aterros sanitários, etc. E tudo isso gerado pelo homem – seu egoísmo, arrogância, ambição e imediatismo desenfreados.

– 100 milhões de barris de petróleo são consumidos diariamente no mundo;

– Aumento do nível do mar pode inundar costa italiana até 2100;

– demanda de energia crescerá um terço até 2040;

– Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO em inglês) alarmada com perda de diversidade no mundo;

– animais selvagens diminuíram 60% em 40 anos;

– Roma registra fevereiro mais quente em 157 anos;

– 2 milhões de pessoas foram deslocadas por eventos climáticos em 2018;

– Brasil recicla apenas 1% do lixo plástico produzido;

– Governo do Brasil liberou registro de quase 100 agrotóxicos em 50 dias;

– redução drástica no número de insetos gera risco de colapso da natureza;

– mundo produzirá 120 milhões de toneladas de lixo eletrônico até 2050.

*Fontes: FAO, WWF, ONU, O Globo, Imprensa Nacional, Banco Mundial e Nexo Jornal.

“Anualmente desmatamos uma área do tamanho da Bélgica, comemos carne industrial mesmo sabendo que ela é a principal responsável pelo aquecimento global. Continuamos comprando. Consumo…ter mais. Mais desperdício. Mais, mais, mais. Não estamos falando da destruição do planeta. Ele vai continuar sem nós. A vida humana na Terra é que está em risco”, alerta o fotógrafo, cineasta e ativista francês Yann Arthus-Bertrand.

Você entende que estamos falando da extinção da vida humana no planeta caso não mudemos nossos hábitos?!

Yann, que tive a felicidade de conhecer em SP no ano passado e reencontrar este ano em Paris, ilustrou com suas belíssimas fotos aéreas a encíclica “Laudato Si (Louvado seja) – sobre o cuidado da casa comum” do Papa Francisco. Ele é a única autoridade mundial ligada a alguma religião a falar sobre os problemas ambientais.

O papa cita como inspiração São Francisco de Assis. “Amava e era amado pela sua alegria, a sua dedicação generosa, o seu coração universal. (…). Nele se nota até que ponto são inseparáveis a preocupação pela natureza, a justiça para com os pobres, o empenho na sociedade e a paz interior.”

Paz interior – como o ser humano está distante dela -, mesmo sendo algo que faz parte da sua essência, da sua natureza mais íntima.

E como recuperamos essa paz interior. Ou melhor, nos relembramos dela. Como a reencontramos em nós?

Somos os criadores dos nossos pensamentos, palavras e ações. Podemos ter 30 mil pensamentos por dia ou até mais. Ken O´Donnell, escritor, consultor internacional e coordenador da escola de meditação e qualidade de vida para América Latina da Brahma Kumaris (BK), afirma que nossa mente é como um aeroporto sem torre de controle. “Nossos pensamentos são cavalos selvagens que precisam ser domados”, diz ele.

Mas o que nossos pensamentos têm a ver com poluição no planeta? TUDO!

Somos seres espirituais, somos energia. Quando tenho bons pensamentos sobre alguém, essa vibração sai de mim, vai para a atmosfera e chega àquela pessoa. O mesmo acontece com pensamentos negativos. Pensei, vibrei e enviei.

Nunca aconteceu de alguém ir à sua casa, elogiar uma planta sua e no dia seguinte ela estar sem vida?

Há experimentos de agricultura yogue na Índia desenvolvidos pela Brahma Kumaris sobre ganhos de produção em plantações onde as pessoas meditam frequentemente em comparação com as tradicionais. E o que dizer de experimentos com a água?

No livro de Ken “Espírito de líder 1” ele cita a experiência do dr. Nasaru Emoto com a água. Ele descobriu que ela é capaz de se modificar de acordo com o tipo de pensamentos exercidos sobre ela. Após submetê-la às mais variadas condições, usando pensamentos, palavras escritas e diversos tipos de música, ele congelou, observou com um microscópio de alta resolução e fotografou os cristais de gelo que se formaram.

Sua conclusão é de que palavras e pensamentos positivos têm impacto positivo na água e formam belos cristais, enquanto que os negativos são disformes. Mesma coisa com amostras de rios de montanhas, águas de torneira e água poluída da cidade.

Vivemos em um mundo onde as pessoas estão infelizes, estressadas, carentes, fora do eixo. Isso tem muito a ver com a qualidade e quantidades dos pensamentos. Não vivemos o momento presente e esquecemos que estamos todos interligados. Tudo está conectado: a mulher da casta dos intocáveis na Índia, que não têm onde morar, o que comer, nem energia elétrica nem saneamento básico, do filme “Human” de Yann, faz parte da minha família global, tanto quanto os venezuelanos, os refugiados africanos escorraçados da Europa, as tribos indígenas tendo suas terras tomadas. Nós, os mais de 7,6 bilhões de seres humanos. Unidos num cordão umbilical planetário.

Quando nos afastamos da nossa essência, passamos a agir baseados em possuir, lucrar, ter mais, em tomar, em nos beneficiar. Procuramos fora de nós felicidade, amor, paz e já ficou claro que essa maneira de se relacionar não está dando certo. Estamos em dívida com o planeta e as desigualdades sociais são colossais.

Segundo o filósofo e humanista Bernardo Toro, “a qualidade de qualquer sociedade ou comunidade não é melhor ou pior do que as qualidades pessoais de seus membros. Para alcançar crescimento econômico e desenvolvimento social é crucial alcançar o desenvolvimento pessoal. Sem isto os primeiros tijolos de qualquer nova ordem mundial serão a própria ruína de tal ordem.”

O mundo em que vivemos e os políticos que elegemos são reflexo do nosso estado mental. Devemos deixar de procurar no externo o que está dentro de nós: felicidade, benevolência, paz e amor. Desenvolvo o autoconhecimento e a autorresponsabilidade. E entendo o impacto dos meus pensamentos, palavras e ações nas pessoas, na natureza e nos animais. Não olho para o lado para ver o que os outros estão fazendo. Sei qual é meu papel no mundo, sei que sou um ser singular e tenho algo único a compartilhar.

Vivendo em equilíbrio interno, entendo que os recursos naturais são finitos, que devo ser um agente para reduzir as discrepâncias e que todo pensamento e ação meus têm impacto. Para o bem ou para o mal.

“Espiritualidade é a chave que nos capacita a entender e educar nossa força e bondade inatas. Uma mudança positiva em um indivíduo causa um efeito onda em outros, inspirando a transformação pessoal. É assim que uma mudança interna traz mudança no mundo externo. (…)”, Sister Jayanti, diretora européia da Brahma Kumaris

Ecologia, sustentabilidade e meio ambiente é falar das abelhas, do desmatamento, mas também dos refugiados e da miséria.

Então, aceita meu convite para vibrarmos apenas positivamente? Que tal ao invés de abraçar uma árvore para “roubar” a energia dela e se recarregar, você abraçá-la para dar a SUA energia a ela?

Que tal ter só pensamentos positivos sobre as situações e sobre os outros?

E aí? Topa acabar com a poluição de pensamentos negativos e inúteis na atmosfera?

Artigo publicado originalmente em minha coluna na Plurale

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