Seis documentários para te ajudar a entender o mundo e agir em 2019

Fim de ano está aí e você pode ter um tempinho a mais para colocar aquela série do Netflix em dia, né? Mas que tal trocar por documentários que nos fazem entender melhor por que o mundo está como está, como estamos impactando o planeta, como tem gente linda transformando isso aqui num lugar melhor e no que consiste ser humano nos dias atuais. Essa é a minha proposta a você com a lista a seguir.

Minimalismo (2016, Matt D´Avella)

O que é ter uma boa vida? Ser bem-sucedido? Casa grande, carro, eletrônicos, um closet enorme, status, estar na moda? Ou é entender que eu estou no comando da minha vida e posso priorizar o que realmente tem valor para mim? Ter uma vida mais consciente. Ter mais com menos.

Os norte-americanos Joshua Fields Millburn e Ryan Nicodemus se sentiam infelizes, deprimidos e desgostosos antes dos 30 anos. No final de 2008, Joshua começou a questionar sua vida, após a morte da mãe e o fim do casamento de seis anos, ambos no mesmo mês. Foi quando ele descobriu o minimalismo, uma ferramenta que ajuda a nos livrar do medo, do estresse, das dívidas e das preocupações.

O minimalismo foca no que realmente importa, ao entender que consumimos excessivamente buscando a felicidade onde ela não está. Acabamos ficando confusos sobre como encontrá-la. É passar a consumir de uma maneira consciente e equilibrada.

De acordo com minimalistas, ao deixarmos de cair nas armadilhas, ao reduzirmos a quantidade de coisas com que temos de lidar diariamente, ficamos mais leves, livres e desenvolvemos relacionamentos mais verdadeiros, uma vida menos estressante e mais rica. E para isso devemos questionar o valor das coisas em nossa vida.

“Não achamos que há algo errado em ter bens materiais ou trabalhar das 9h às 17h. Todos precisamos de coisas, precisamos pagar as contas, certo? Mas quando colocamos essas coisas em primeiro lugar, perdemos o sentido da vida”, afirma Joshua.

Humano (2015, Yann Arthus-Bertrand)

O longa-metragem do fotógrafo, diretor e ativista francês é considerado pelo próprio como “o filme da sua vida”. Foram três anos de filmagem em 63 países e três mil entrevistas. A edição foi feita por cinco profissionais durante um ano.

São entrevistas sem narração intercaladas por imagens aéreas e a música do talentosíssimo Armand Amar, melhor amigo de Bertrand.

As imagens, a música e as entrevistas formam um conjunto de tamanha beleza, conexão e poder, que é difícil explicar em palavras. O que nos faz seres humanos? Somos assim tão diferentes que não conseguimos viver juntos em harmonia?

O filme é um espelho, uma aula do que é ser humano: o que nos une e nos separa. Nossa complexidade e a busca pela felicidade.

Extrema pobreza, falta de saúde e de educação, guerras (ainda lutamos como se fôssemos animais), homofobia, falta de trabalho, crise mundial dos refugiados, amor, família, valores.

Segundo Bertrand, “tem pessoas que encontramos na vida que nos dizem coisas que nos marcam e nos fazem avançar, nos tornam mais inteligentes. Nesse filme, tentamos concentrar essas palavras brilhantes de pessoas que, muitas vezes, não sabem ler nem escrever. Mas que têm um bom senso extraordinário e nos trazem reflexões. Crescemos através dos outros”.

Happy (2011, Roko Belic)

Roko Belic diz que o super premiado filme “Happy” mudou sua vida e tudo começou quando o amigo e diretor Tom Shadyac falou sobre uma reportagem no jornal com o ranking dos países onde as pessoas eram mais felizes no mundo. Os Estados Unidos, com toda a sua riqueza, não estava nem nos 35 primeiros colocados. Tom estimulou Roko a fazer um documentário sobre o tema e disse que bancaria.

Roko descobriu que havia cientistas estudando sobre a felicidade e mergulhou nesse universo. Leu mais de 15 livros e a conclusão era de que ser feliz faz bem à sua saúde, te torna mais criativo, produtivo, mais aberto a ajudar o outro, o meio ambiente e menos propenso a roubar. Parece meio óbvio, mas por que então vivemos num mundo com tantas pessoas infelizes se os benefícios são muitos?

Qual a raiz da nossa felicidade? O que nos fazia felizes antes de termos carros, celulares… tudo o que amamos na cultura moderna?

Ele conversou com o renomado historiador norte-americano Howard Zinn que disse: “Não entendemos o poder da nossa voz individual. Tudo o que fazemos tem um impacto: afeta alguém ou você mesmo. Pense em toda decisão importante que tomou em sua vida?”

Uma linda cena no filme se passa em Okinawa, no Japão, que concentra o maior número de pessoas com mais de 100 anos no mundo. Crianças estão participando de uma corrida nas ruas de um vilarejo e um grupo de idosas as aguarda na linha de chegada, com abraços e muito incentivo. Mas as crianças não são netos sanguíneos de nenhuma das senhoras ali. Elas os consideram seus netos devido ao grande senso de comunidade e família, que faz parte da cultura local.

Roko foi à Namibia, Louisiana/EUA, Okinawa e Brasil para tentar responder o que é a felicidade.

Filme Happy de Roko Belic

Quem se importa (2012, Mara Mourão)

A maravilha dos filmes sobre transformadores ou empreendedores sociais, como preferir, é que eles começam afetando a própria equipe de filmagem e isso vira uma bola de neve, um movimento. Palavras de Mara Mourão num TED muito bacana sobre o premiado longa-metragem.

Ele mostra 18 pessoas, como eu e você, mas que têm algo em comum: uniram missão de vida e trabalho e fazem o mundo um lugar melhor.

Segundo Bill Drayton, fundador da Ashoka, a primeira organização a selecionar e apoiar empreendedores sociais, “se 3% das crianças forem educadas a serem transformadoras, a gente muda o mundo em pouco tempo”.

Dentre os empreendedores entrevistados no filme temos o prêmio Nobel da Paz Muhammad Yunus, um monge budista belga que treina ratos para desarmarem minas terrestres na Tanzânia, ex-padre brasileiro que criou uma moeda própria em uma comunidade de Fortaleza e outras histórias inspiradoras.

O filme reforça o que muita gente já sabe: todo mundo pode mudar o mundo!

empreendedorismo social

Sustainable (2016, Matt Wechsler)

Para nós, brasileiros, que somos recordistas no uso de pesticidas, vale demais entender como o poder está em nossas mãos ao escolhermos de quem vamos comprar nosso alimento. Comprar orgânico é caro? Será que é tão mais caro? E se todo mundo comprasse só orgânicos? Temos um poder gigantesco de pressionar o mercado e o lobby dos agronegócios, que tentam esmagar os pequenos produtores. Basta querermos!

O documentário mostra a “instabilidade econômica e ambiental do sistema alimentar americano, das questões agrícolas que enfrentamos – perda de solo, esgotamento de água, mudança climática, uso de pesticidas” e como uma comunidade decidiu consertar essa encrenca.

Sustainable é um filme sobre a terra, as pessoas que amam e trabalham a terra, e o que deve ser feito para sustentá-la para as futuras gerações.

É uma história de esperança e determinação. Sobre a finitude dos recursos naturais e os malefícios do uso de pesticidas para a saúde.

O filme mostra como podemos trabalhar em rede numa relação ganha-ganha.

Uma verdade ainda mais inconveniente (2016, Bonni Cohen e Jon Shenk)

O filme do ativista e ex vice-presidente norte-americano All Gore, lançado 10 anos após seu primeiro longa-metragem – “Uma verdade inconveniente” levou o Oscar de melhor documentário e foi o responsável pela premiação do Nobel da Paz para Gore e o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês) da ONU – mostra o agravamento do aquecimento global devido à falta de comprometimento de países e a cultura capitalista do crescimento exponencial, que está inviabilizando a vida humana na Terra, e os bastidores do Acordo de Paris.

Como conciliar prioridades dos países em desenvolvimento com aqueles que há mais de um século vêm usando combustíveis fósseis à exaustão, como Estados Unidos? Como você vira para a Índia, país com 1,4 bilhão de habitantes (300 milhões sem energia) e fala: O lance é o seguinte, parceiro: nós consumimos os recursos naturais desenfreadamente durante 150 anos e a agora a conta veio, Então, vocês vão ter que fazer diferente da gente. Mas nós estamos aqui para ajudá-lo com crédito e tecnologia.

Parece piada, mas não é! Se a Índia, assim como a China, não repensarem a construção de centenas de usinas a carvão, a realidade é que a raça humana não estará mais nesse planeta em pouco tempo. Está me achando alarmista? Então leia um documento assinado por 15 mil cientistas de quase 200 países no ano passado. A mensagem é clara: o tempo para agir está ficando curto e se continuarmos com nosso estilo de vida consumista, não teremos condições de continuar vivendo nesse planeta.

Mas o documentário não foi feito para nos deprimir, mas sim mostrar como há soluções possíveis já implementadas em várias cidades no mundo e que os resultados são robustos. E como todos nós temos um papel primordial para que a transformação aconteça!

Depois de ver tanta gente incrível fazendo tanta coisa bacana em nível socioambiental, educacional, etc, te pergunto: o que você tem feito pelo planeta?

Sempre cito esses documentários nas palestras in company que faço. Eles são fundamentais para entender como chegamos ao ponto em que estamos e o que precisamos fazer para virar esse jogo, já que o tempo é curto. Como é importante perceber que estamos todos conectados, somos uma família global e que precisamos agir em rede. Estamos todos no mesmo barco.

Sou jornalista, palestrante, produtora de conteúdo e idealizadora do Projeto Conteúdo que faz bem. Ajudo empresas do segmento de vida saudável e negócios sustentáveis a comunicarem sua essência e causas que defendem.

Imagens 2, 3 e 4: reprodução redes sociais e sites

 

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